sábado, 31 de janeiro de 2009

Macaco Bong


Macaco Bong nasceu em Cuiabá , Mato Grosso, em 2004 como um quarteto de rock instrumental. No ano seguinte, a banda se tornou um power trio, permanecendo com a proposta instrumental. Baseado na desconstrução de arranjos da música popular nos formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop etc., o Macaco Bong busca fugir de dos rótulos, tanto na estética quanto no conteúdo.

Álbum " Artista igual pedreiro" é bom demais. Os caras se destacam na cena instrumental, fazendo um som totalmente próprio, com arranjos sinuosos. Participando de inúmeros festivais, tocando muito em sampa e em diversos bares do Brasil, esses Macacos mostraram que vieram para fazer barulho, e como fazem. Adoro. Já estão na minha playlist, e por falar em instrumental, não posso deixar de citar o incrível Hurtmold, que são uns dos meus preferidos.
Na jukebox não para de tocar Vamos dar mais uma, Macaco Bong claro, meu, que música é essa, e essa guitarra?!

Massa, um som pra viajar.

Como os próprios já definem: Um som erótico!
Para mexer com todas as sensações.

www.myspace.com/macacobong

J.M



Foto arte moda






Man Ray, Mark Ryden, Beatriz Milhazes e Paul Poiret , nessa ordem, adoro!

J.M

Do desejo

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

Hilda Hilst

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

não por acaso


- Ei, ei, tá dormido?
- ...
-Ei.
- Que foi ... o que?
- Não sei, estava pensando, você acredita em destino?
- Que?
- É, destino.
- Tô dormido, tá escuro ainda.
- Não, só me responde isso.
- .... não
- Por que? Você acha que é por acaso, nós dois aqui, dormido na mesma cama?
- Alice, são 4:20 da manhã, dá um tempo, amanhã ... amanhã.
- Não, pensa comigo, ou melhor, será que dá para fazer da nossa vida um filme? Assim, sabe, uma vida pulsante, como de cinema, onde a gente escolhe os nosso caminhos.
- Eu nem tô raciocinando, me deixa dormir.
- É que ... nada.

Ela levanta da cama, calça os chinelos, põe um roupão, tipo um kimono japonês com um dragão dourado nas costas. Sai do quarto arrumando o cabelo liso, que está todo bagunçado. Vai para a sacada, senta na cadeira, um vento frio. A cidade ainda dorme, as luzes embalam o sono de uma metrópole, que já têm filhos nas ruas indo trabalhar e outros voltando.Alice olha todo o movimento, pensa que numa hora dessas estaria voltando de alguma balada na rua Augusta, que hoje em dia é um lugar cult , modernos e boêmios, lugar que Alice adora freqüentar.
Acende um cigarro, sente um gosto amargo na boca, talvez esteja seca. Corre, liga o som e volta para a vista. Algumas lágrimas caem, ela agora escuta uma “alegria, alegria” de Caetano nos ouvidos. O dia amanheceu, os primeiros raios aparecem lá no fundo, junto com os aviões que não param de desenhar no céu de São Paulo. Alice arruma o cabelo, respira fundo e uma campainha soa no ar.

Piiiiiiii

- Acho que o café ficou pronto.

Júlia


Crônicas!

jukebox: stand by me - John Lennon

Pijamas


Resumão: Durante a Segunda Guerra Mundial, Bruno, um garoto de 8 anos , filho de um oficial nazista passa a morar perto de um campo de concentração. Sem ter o que fazer, ele explora o local e conhece um garoto de sua idade, que vive do outro lado da cerca. Começa a amizade com um menino judeu. O filme mostra como o preconceito, o ódio e a violência afetam pessoas inocentes.

O filme acabou com uma salva de palmas da platéia do Festival.

Fofo, delicado e muito bonito! Numa amizade sincera não importa cor, classe social, ou qualquer outro tipo de preconceito.

Muito bonito!


J.M

Studio



Hoje


Pôr-do-sol com os amigos . Uma roda de samba. Caipirinha gelada. Cantando Cartola. Dançando com o povo. Quase manhã, voltando pra casa.

Pra hoje um bom buteco ali na Ipiranga com a São João.

J.M

100 anos de Cinema em Mato Grosso


A Exposição Fotográfica - 100 anos de Cinema em Mato Grosso, apresenta as imagens surpreendentes do cinema no Estado, um ato quase heróico de inúmeros realizadores estrangeiros e brasileiros, exibidores e críticos. Contando através de imagens - documentos um pouco da história da mais antiga experiência cinematográfica realizada na região Centro -Oeste.

Desde 1908 ( quando Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ainda eram um Estado só, antes da divisão) inúmeros cineastas estrangeiros, brasileiros e posteriormente mato-grossenses adentraram a região revelando para o Brasil afora um novo e místico mundo guardado no centro do país . Os diretores, exibidores, produtores, atores e críticos pioneiros viveram intensamente o cinema e seu esforço heróico resultou numa apaixonante história retratada nesta exposição de memórias.

Lindas fotos!

J.M

Seja o Meu Céu

O céu azul do meu destino
O céu de Ícaro e de Galileu
O céu de coro nordestino
Onde eu e Buñuel
Procuro o fogo de Prometeu
No caminho de Santiago
Eu Francisco e Isabel
Três Marias, Sete Estrelas
Constelações dos meus cabelos
No céu, no céu, no céu

Com o meu baião estarei
Desenhando um outro céu
Com o meu baião estarei
Desenhando um outro céu

Onde brilhem os olhos seus

Red Rocket - a saga do rock


Alanis

Alanis está no Brasil. E fiquei sabendo disso uns dias atrás, nem sabia que teria show da canadense por aqui. Às vezes me sinto alienada. E me perguntaram : " Ju, vamos pro show da Alanis?", a resposta foi não. Tudo bem, nunca vi Alanis ao vivo, e uns 4, 5 anos atrás quando ela tocou em Brasília, tive uma vontade imensa de ir, não lembro o motivo de não ter ido. E hoje, a sonoridade pop que Alanis estacionou não me agrada. Curto a mulher cabeluda, uma revolta pulsante nas letras, ácida, feminina e com uma voz ruidosa, capaz de emocionar qualquer um. Alanis Morissette de antigamente. Meu álbum preferido dela, é sem dúvida um do começo da carreira, Jagged Little Pill, clássudo! Escuto sempre. Outro bom é o Unplugged, lindo, Alanis sabe ser poderosa quando quer. E os videoclips dela também são um caso à parte. Quem não se lembra de " Thank U", eu adoro. Bom, se fosse a turnê do Jagged, e eu soubesse que teria um revolução musical nos palcos, com certeza não pensaria duas vezes e estaria com ingresso na mão.


1. All I Really Want
2. You Oughta Know
3. Perfect
4. Hand In My Pocket
5. Right Through You
6. Forgiven
7. You Learn
8. Head Over Feet
9. Mary Jane
10. Ironic
11. Not The Doctor
12. Wake Up


J.M

Les amants


"E tantas águas rolaram, quantos homens me amaram, bem mais e melhor que você..."


Bethânia canta Chico, sempre Chico.

J.M

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma noite na cidade


Hoje eu fiz as unhas, a cor, um vermelho, bem forte. Não me pergunte especificamente qual o tom do vermelho, porque nem eu sabia que existiam tantos. Vermelho – tomate, paixão, verão, vinho, morango, e mais um monte de nomes que vivem inventando. Para mim é vermelho, e só. Dei um trato nos cabelos: corta , hidrata , seca, arruma e ainda joga um fixador para deixar com cara de “acabei de arrumar”. Depilei, ai que tortura. Os homens pensam que é frescura de mulher, mas não é.
- A senhora quer a cera com qual aroma? Temos erva-doce, menta, baunilha, chiclete,frutas silvestres...
- Algum desses faz diminuir a dor?
- Não
- Qualquer um então.
- Qual?
- ... menta, pode ser.

Minha sobrancelha, que quase parecia uma tarturana, deu um jeito. Pés em perfeita condições igualmente ( vermelho, apenas vermelho também). Na maquiagem pedi algo bem envolvente, escuro para destacar os olhos, maças do rosto bem rosadas, por favor. Um pouco de brilho e não esqueça de esconder minhas olheiras. Perfeito, quando olho no espelho, quase um milagre.
Já estava de saída e a moça da recepção corre atrás de mim, não sabia, mas tinha ganhado uma sessão de massagem. Céus, tudo o que eu precisava. Pronto, agora relaxada.
No apartamento, me esqueci de fechar as janelas e a porta da sacada quando saí ,bem cedo, e com o temporal que caiu à tarde, tudo estava uma bagunça.
Brigitte veio ao meu encontro, como de costume, se esfregou pelas minhas pernas, fez charme, era a hora do seu leite. Animais são espertos, aprendem rápido o que lhe interessam, principalmente gatos, e com Brigitte, minha vira-lata com persa e mais uma outra raça que não me lembro, não era diferente.
Nem me irritei em ter que arrumar tudo, estava me sentindo tão bem. Meu Deus, 20:00, marca o relógio da cozinha. Mal acabo de tomar o meu café, termino os últimos versos do poema de Neruda, saio correndo pela sala e vou me trocar. Banho quente, não consigo ficar menos de 25 minutos no chuveiro, mas com esses tempos de crise. Brigitte fica deitada, fazendo pose de superior, gato tem essa mania, de fazer pose, não é a toa que no Egito sempre estavam ao lado de um Faraó ou uma rainha, claro, fazendo pose. Vejo por entre o vidro camuflado do box e meio embaçado, aqueles enormes olhos azuis me olhando. Queria saber o que ela pensa. O telefone começa a tocar, uma, duas, três ligações, não atendo. O processo de “produção” de uma fêmea, é como um ritual, a escolha da roupa, brinco, perfume, e não gosto de ser intemrropida, para não perder o clima, saca? Olha que não sou tão vaidosa. Um paetê preto, bem colado e curto (as idas ao trabalho de bicicleta ajudaram e muito), meia-calça preta, bota estilo de montaria, não gosto de salto, também pretas ( bem coladas na batata da perna, senão parece folgada), dou um pulo na sacada e percebo que está ficando cada vez mais frio.
Tá na hora de tirar do armário aquele casaco de pele lindo ( sintético, sintéico) que nunca sei quando usar, cor creme e tem capuz. Brincos médios, uma flor toda em pedraria, com uma pérola no miolo, presente da vovó de anos. Um anel enorme para acompanhar, basta. A maquiagem ainda boa, só dou uma retocada. Cabelos semi-presos, uma boa dose de perfume, bolsa, estou pronta. Pego Brigitte que está dormindo toda quentinha nas cobertas, dou um beijo e um cafuné na orelha. O telefone chama, chama, ninguém atende, cai na secretária eletrônica:
- Mãe, sou eu, to ligando pra desejar um bom Ano Novo, passei o dia fora, não sei se tentaram ligar aqui. Manda um beijo para o papai, na Sula, no Pedro e no Francisco. Te amo.

Na rua, o vento frio sinto no rosto. Se mistura aos meus cabelos, fazendo uma dança noturna nos meus fios longos. É o primeiro ano que passo o 31 fora. A cidade está linda, como nunca a vi assim, suas luzes parecem mais intensas e quentes nessa quase madrugada. Paro para comprar o meu Veuve Clicquot, quero começar bem o novo ano.
Continiuo andando, eu, agora coma garrafa de champagne tirada do freezer,gelando as minhas mãos. Me misturo no meio de tantas pessoas, rostos desconhecidos, euforia, sou mais uma anônima naquela multidão. 23:45, marca o meu digital, consigo ouvir Edith Piaf, me soprando o começo de La Vien Rose. Estou pronta para dançar por inteira, só por hoje a Champs- Elysées é só minha, e de quem se aventurar a poetizar nela.
23:55, estou rindo e conversando com desconhecidos, quando escuto:

-Alice, estamos aqui!

Meus bons amigos. Uma noite em Paris nunca foi tão bonita



Júlia

___________

Série crônicas, as minhas, como é bom escrever!

jukebox: claro, Piaf! La Foule, La Foule! Amo!

J.M

Chibata

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Benjamin


Antes, fiz um post, um comentário sobre o que seria o filme “ O curioso caso de Benjamin Button”. Agora sei.
Estava muito curiosa para assistir, primeiro pela história de Fitzgerald, segundo pelo sinônimo de qualidade (e um pouco de loucura) na direção de David Fincher, e terceiro pelas transformações que Brad Pitt e Cate Blanchett se submetem ( físicas, estéticas, tom de voz).
Pelo que me lembro ( e posso estar enganada) o último filme que vi no cinema que sai com a cara toda vermelha e os olhos ainda úmidos de choro foi Piaf. Bom, que eu me lembre, e olha que ando assistindo muitos clássicos em casa, mas me refiro à sala de cinema.
O filme já começa com um relógio, um relógio que anda para trás, e fica claro, que o que impera é o tempo. Aí entra Benjamin Button, que nasce velho, um bebê todo enrugado, com catarata, e todos os problemas de saúde que uma pessoa muito bem vivida possa ter.Ele parece estar não nos primeiros, mas nos últimos dias de vida. Rejeitado pelo pai, é deixado na frete de uma “casa de repouso” para idosos e é totalmente acolhido pela negra Queenie, dona do lugar. O tempo vai passando, todos acham que Benjamin pode morrer a qualquer instante, e ele vai ficando cada vez mais jovem.

Tudo começa a desenrolar, os anos passam, a aparência começa a mudar ( perfeita a combinação de maquiagem e computação gráfica, gestos e porte físico dos atores), reflexões, que aliás são muitas.Benjamin ainda com a fisionomia de vovô encontra o amor da vida dele ( ela ainda uma criança ) arranja um emprego num rebocador, reencontra seu pai, viaja, faz amigos , vira amante de uma solitária esposa de um espião e volta para sua casa, o asilo em Nova Orleans. Tudo isso ao som do piano e de um choroso Blues, claro, estamos em New Orleans.
Derrepente : Ele chega na idade adulta, aparece tão crua a fisionomia de Brad Pitt, e meu Deus, que maravilha. Já estamos na época dos Beatles, que começa a tocar nas cenas. E Cate Blanchett? Está linda, ruiva, bem magra para viver a energética bailarina Daisy, grande amor de Button. Sou suspeita, por que Cate é, para melhor descrever, foda. Um talento que transborda em qualquer coisa que faça, seja um longa, ou apenas uma participação especial. Blanchett está deslumbrante em todas as fases do filme.
Em um momento as idades se equalizam, e eles viram um casal, cheios de paixão, romance e ousadia. Seu pai morre deixando tudo em seu nome, sua mãe ( a ótima Queenie) também, e Daisy engravida. O tempo continua a ser o principal escudeiro do enredo, ela já com rugas e ele cada vez mais jovem e lindo. Pausa para mais reflexões. Ele decide ir embora, pois não acha justo sua mulher ter que cuidar de duas crianças, sua filha e ele. Anos mais tarde, o tempo sempre muito fiel volta, e o destino faz com que se reencontrem, agora Daisy, com cabelos brancos, segura no colo um bebê, que ela acredita que ainda reconheça-a.
O que está em questão é a passagem da vida, o que experimentamos e o que perdemos. Uma história sobre o desejo humano de dominar o tempo, e de quanto esse desejo é vão.

É lindo, faz pensar em muitas coisas da vida. Chorei, e adoro me emocionar no escuro do cinema; até mesmo quando de um lado tem um casal que não parava de se amassar, do outro, um cara que foi sozinho ver o filme e não parava de fazer comentários como : “ Ah, não acredito”, “Putz, coitado” e “ É, mãe é tudo igual” ( esse foi o melhor) e atrás duas taradas que toda vez que Brad aparecia, todo bonitão diziam “ Delícia”, “Nossa, por esse eu me apixonava”. Ok ok, é assim, dividir a mesma sala com pessoas estranhas, o lado que torna a sétima arte bem instigante e curioso, o público.
De uma beleza suave e uma maluquice doce.

Recomendo, pra agora!
J.M

Quase tudo de Danuza

“ Meu pai não cansava de dizer que as palavras foram feitas para esconder os pensamentos e que um mergulho no mar cura tudo, das doenças as maiores aflições. Ele estava certo em muitas coisas, mas não em todas. Da mãe do meu pai que não cheguei a conhecer, aprendi que, quando cai uma chuva forte, deve-se ir para a rua e lá ficar por uns dez minutos, até se encharcar, pois faz bem à saúde. Isso eu ainda faço, e acho que a humanidade se divide em dois tipos de pessoas: as que usam guarda-chuva e as que não usam”.
...
Sim, recomendo, a biografia de Danuza Leão, escrita por ela, muitos fatos engraçados, loucuras, viagens ( Paris, Paris, Paris), o casamento com o jornalista Samuel Weiner, a sua relação com a família e com sua irmã Nara Leão, a agitada noite carioca dos anos 60/70, seus amores e suas histórias, algumas bem detalhadas. Leve, gostoso de ler e bom para dar boas risadas e saber mais sobre Danuza, que não deixa de ser um ícone brasileiro. Adoro suas crônicas, leio sempre na Folha, boa escrita! Massa!

J.M

Cine Tiradentes



Sumpaulo, meu amor

Hoje sou a mais pura saudades! São Paulo que te amo tanto, a minha! Faço das palavras de Tom Zé, as minhas, “Te carrego no meu peito. São, São Paulo. Meu amor”.

Meu, que saudades!

Júlia

"É sempre lindo andar na cidade de São Paulo
O clima engana, a vida é grana em São Paulo
A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo
Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo
Pra quebrar a rotina num fim de semana em São Paulo
Lavar um carro comendo um churro é bom pra burro
Um ponto de partida pra subir na vida em São Paulo
Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá"

Rua da utopia

Gilberto Gil participou em São Paulo, na quarta-feira passada, de um almoço para criar um espaço de experimentações em um estacionamento na região mais deteriorada da rua Augusta -ali se apresentariam gratuitamente músicos, poetas, artistas plásticos, designers de moda e atores dispostos a fazer inovações, tirando proveito das mídias digitais. O encontro teve um sabor de futuro combinado ao de nostalgia.A experiência está sendo tocada por Cláudio Prado, guia dos então exilados Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros baianos, pelo mundo underground londrino. No final dos anos 1960, Cláudio saiu do Brasil para estudar pedagogia na Suíça, mas preferiu ser hippie em Londres e aprendeu os caminhos dos melhores endereços das trilhas do rock. O aprendizado fez dele, no Brasil, produtor de shows e de bandas como os Mutantes, a Cor do Som e os Novos Baianos.Seduzido pela internet, atuou como um conselheiro em mídias digitais do ministro Gilberto Gil, que agora é chamado ao projeto na rua Augusta, até pouco tempo atrás dominada, na noite, por travestis, prostitutas e os mais variados tipos de marginais. Num casarão antigo, vizinho ao estacionamento, pretende-se montar um laboratório voltado ao desenvolvimento de projetos de internet. "Queremos liberar as energias utópicas da pauliceia desvairada", propõe Cláudio, descendente de uma das mais tradicionais famílias paulistanas.Não dá para saber ainda o que vai sair dessa busca das energias utópicas. Mas posso dizer que esse tipo de movimentação mostra que, ao comemorar hoje 455 anos, São Paulo tem naquele trecho da Augusta, uma rua 24 horas, sua melhor síntese.
As antenas de Cláudio localizaram ali a melhor amostra da diversidade paulistana, o que vem ocorrendo nos últimos cinco anos -aliás, não conheço nenhum lugar do mundo com tantas tribos diferentes em tão pouco espaço.Na paisagem dominada pelos mendigos, prostitutas e deserdados, juntaram-se jovens da classe média e alta atraídos pela baladas; apreciadores de novos grupos da música brasileira (Studio SP) ; as mais diferentes modalidades de gays e lésbicas, com bares para diferentes idades e faixas de renda; a rua reserva espaços para os emos e diversos tipos de punks (há uma tribo de punks que prega a paz e a alimentação vegetariana). Os cinéfilos já estavam lá há mais tempo por causa do Espaço Unibanco, depois apareceram bares que atraíram intelectuais e jornalistas.Logo no começo da rua está um símbolo do paladar da família paulistana (a Famiglia Mancini), com sua fila de netos acompanhados de avós.A poucos metros dali, concentraram-se grupos de teatro alternativo em torno da praça Roosevelt; o prefeito Gilberto Kassab me assegurou, na semana passada, que no próximo mês começa a concorrência para a reforma da praça, que teria uma vocação para as artes cênicas; José Serra se comprometeu a inaugurar uma escola voltada à formação de mão-de-obra qualificada para montar peças.Para completar a biodiversidade, estima-se que a nova praça será inaugurada com a sala do Cultura Artística -espaço que foi destruído por um incêndio. Uma das cenas exóticas da paisagem paulista era a mistura dos públicos na saída do Cultura Artística, com homens e mulheres de roupas sóbrias entre os frequentadores de um inferninho chamado Quilt -o que, em inglês, significa colcha de retalho.
A utopia urbana não está só na diversidade, mas no fato de que o melhor futuro de São Paulo é a economia criativa, que vai da moda, passando pelas artes, até programas de computador.Na mesma semana em que Gilberto Gil discutia como fazer de um estacionamento um centro de inovações, víamos os desfiles da São Paulo Fashion Week, juntando as mais diferentes inteligências estéticas -essa inteligência produz não apenas modelos de roupas, mas idosas na passarela ou um desfile movido pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Ao mesmo tempo, milhares de jovens mostravam suas invenções no Campus Party, a maior feira brasileira das tribos digitais.No Campus Party, lançou-se, por exemplo, o projeto, idealizado pela TV Cultura, de colocar nos computadores das LAN houses um recurso para que os jovens, enquanto jogam, possam ter acesso a ofertas de educação e cultura bancados por governos, empresários -a ideia é disseminar por todo o país esse mecanismo, envolvendo entidades como Sebrae, Sesc, Sesi, além das secretarias e dos ministérios da Cultura, Educação e Trabalho.

Nessa comemoração dos 455 anos, dá para dizer que, em meio ao nosso caos, há cada vez mais efervescência e criatividade -e, por isso, está ali naqueles projetos de energias criativas da rua Augusta, onde até pouco tempo parecia não ter nenhuma perspectiva, a síntese de um futuro de cidade.

PS - Para tentar captar esse clima, sugeri a um grupo de fotógrafos que documentassem 24 horas daquele trecho da Augusta. Coloquei uma seleção das fotos no www.dimenstein.com.br
Gilberto Dimenstein - Folha de São Paulo
_____________
Adorei o que li!
J.M

Movimento seja fashion você também


Que desfile mais legal! Ronaldo Fraga e seus idosos e crianças!E as roupas lindas! Muito bom!Quero essa peça em especial pra mim!

jukebox: Desafinado- João Gilberto

J.M

domingo, 25 de janeiro de 2009

Little Joy


Aê! Pois é, Little Joy no Brasil, formada pelo hermano Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti o batera dos Strokes e a delicada Binki Shapiro. O que acontece é que os ingressos para as duas apresentações em São Paulo, (28 e 29/01) estão esgotados! Não acredito, pra rir, já que perdi essa, só fui me ligar agora. Queria muito! Aconteceria apenas um show na capital, dia 28, no Clash Club, mas a procura foi tanta que não teve como não marcar outra apresentação, dia 29, também agora esgotado. Marquei. O trio ainda roda o Brasil, Poa, Rio de Janeiro e toca para a mineirada de Belo Horizonte. No Rio, o show é no Circo Voador, boemia Lapa, igualmente massa!

Little Joy
28 e 29 de Janeiro
Clash Club (rua Barra Funda, 969 - Barra Funda - São Paulo)
Esgotados

Jukebox: incansávelmente a tarde inteira Adam Byer

J.M

spfw



Os clicks da SPFW, eu quero! ( fotos Caroline Bittencourt )
J.M

455


Adoro esse feriado! Terra amada, não é preciso muito para se apaixonar por São Paulo, eu já to nessa! Minha Big City preferida!
J.M

China


Eu quero andar sem culpa
Das coisas que eu tenho em mente
Carrego minha cor nos olhos
Sou aquilo que consumo

Eu posso sorrir,sorrir para você
Eu posso sorrir, sorrir para, para você
Posso sorrir, sorrir para você
Eu posso sorrir, sem culpa.

Respiro o ar da noite
Quando não tenho fascínio
Flores num jardim de inverno
É assim que eu me sinto.

Eu posso sorrir,sorrir para você
Eu posso sorrir, sorrir para, para você
Posso sorrir, sorrir para você
Eu posso sorrir, sem culpa.

China
Animal!



Sertão sonoro


Um achado. Estava eu, numa livraria, procurando um presente para minha mãe, olhando todas as prateleiras de cd’s, quando vi, ali, enfiado, quase escondido lá no fundo, um encarte bem fininho. Era o disco do Projeto Quadrante, a trilha sonora da minissérie “ A Pedra do Reino”.

Abro um parênteses aqui : MAIS UMA VEZ DECLARO MINHA FEROZ ADMIRAÇÃO PELO DIRETOR LUIZ FERNANDO CARVALHO, POR TODA A SUA POESIA, GENIALIDADE, UM INCRÍVEL OLHAR FOTOGRÁFICO, PROFISSIONALISMO E PAIXÃO PELO QUE FAZ. ENFATIZO PELA ENÉSIMA VEZ QUE A MINISSÉRIE “A PEDRA DO REINO” DA OBRA DO INCRÍVEL ARIANO SUASSUNA, É A MAIS LINDA, RICA, DE UMA COMPLEXIDADE LÍRICA, VIVA E CULTURALMENTE VIOLENTA OBRA DE AUDIOVISUAL/FICCÇÃO JÁ EXIBIDA EM TODOS OS TEMPOS NA TV ABERTA. SUA BELEZA TANTO CÊNICA, ESTÉTICA E VISUAL, CAIU COMO UM SOCO NO ESTÔMAGO DE TÃO PURO E COMPLETO.

Um presente que Luiz Fernando, juntamente com toda uma equipe e nas escritas de Suassuna, proporcionaram para toda a população. Comovente.Adorei, quando li o que tinha no conteúdo, não tive dúvidas de que estava com um ótimo achado nas mãos. Todo o projeto gráfico, do encarte, cada faixa recebe uma explicação, um texto pequeno falando quem é o cantor ou grupo que fez a música, as lindas fotos do sertão e das gravações ( todas em preto e branco), tudo está lindo.
Se lê no encarte: “Se eu tivesse que resumir esse projeto em uma única palavra, diria: encontros.Espécie de compilação muito particular que , de certo modo, reage à minha própria constatação de que a leitura que se faz no Nordeste tem sido repleta de clichês. Este pequeno conjunto revelas as manifestações musicais que marcaram-me desde a época da pesquisa para a A Pedra do Reino até o momento do encontro com os músicos locais, os quais , para minha alegria, participaram brilhantemente também como atores.”

Luiz Fernando Carvalho

1. Alvorada - Os Inácios
2. Perguntinha Cabulosa - Jessier Quirino
3. Menina Bonita - Maria de Lurdes Augusto e Grupo de Coco Caiana dos Crioulos
4. Matinas - Banda Cabaçal São João Batista
5. Mineiro Pau - Grupo de Coco Caiana dos Crioulos
6. Côco Verde -Josildo Sá / Abdias Campos / Talis Ribeiro
7. Toada do Cavalo - Luiz Paixão
8. Assentei Praça - Renata Rosa
9. Vento Corredor- Tiné e Capaça
10. Tema D'Um Brinquedo Chamado Viver -Sandra Belê
11. As Obras da Natureza -Zé de Teté
12. Machadeiro - Chão e Chinelo
13. Guerreia, São Jorge - Alessandra Leão
14. Terra de Reis - Siba
15. 50 Anos de Cultura Popular- Mestre Salustiano

Preciso de um emprego no Projeto Quadrante. Sai com bons achados : Nara, Maysa e A Pedra do Reino direto nos zuvidos.

J.M

Feliz Natal

Selton Mello na direção. O tão comentado Feliz Natal. Fui assistir na esperança de trompar com Selton no meio do Festival, pena que não rolou. Sinopse: Caio , um homem de meia idade que tem um ferro velho no interior. As vésperas do natal, ele pega sua mochila e volta para a capital, rever seus parentes, amigos, e reencontrar um homem que não via há muito tempo. Ele Mesmo. Interessante. O filme foi rodado no Rio de Janeiro, começa com uma imagem que vai se aproximando do universo dos personagens, uma trilha sonora densa toca de fundo. No papel central ( apesar do enredo não focar apenas nele) Selton escolheu o ótimo Leonardo Medeiros. Sou fã desse cara, um cara do cinema, já vi vários filmes com ele, e sempre noto que Leonardo sempre faz personagens em sua maioria complexos, sinuosos, com uma tendência para a ruína, e atua nisso com maestria, acho que ele já tem essa cara, uma cara boa para fazer esse tipo de pessoa, humano, profundo, com uma intensidade e amargura ressentida. Tenho que declarar a atração e beleza que vejo em Leonardo Medeiros, aliás, adoro homem com esse estilo e charme que ele carrega. Voltando, Caio, depois de alguns anos reaparece na véspera de Natal na casa de seu irmão, onde reencontra a mãe , dependente de remédios, com transtornos psicológicos, o pai, que vive com uma garota com idade para ser sua neta, uma cunhada em crise com o casamento, um irmão numa fase perdida na vida e os amigos que continuam parados no tempo, duros e sem perspectiva alguma. Tudo começa a se desenrolar, o drama da família, as paixões, a volta, procura por soluções, as reflexões de tudo que já aconteceu. Tudo isso com a câmera na mão, muitos closes nos personagens, um filme visceral, com uma visão particular do diretor.
Um elenco escolhido a dedo, parece que Selton realmente chamou apenas quem ele queria de verdade. Darlene Glória, que está ótima no papel da matriarca enlouquecida, numa das cenas ela, muito doida, no banheiro se pinta toda de maquiagem, borrando tudo, rindo e tomando vinho sem parar, claro, ao som de uma ótima música. Assisti uma vez o Tarja Preta, programa de cinema do Selton no Canal Brasil,a entrevistada era Darlene, ela contando toda sua trajetória, casos de sua vida, seu esquecimento como artista e tudo mais, lembro que Selton ficou encantado com ela, citou ela até em outras entrevistas que depois vi com ele, ou seja, ficou claro que ele daria um jeito de trabalhar com ela de alguma forma, e deu! Lúcio Mauro, querido, puta ator no papel do pai, todo carrasco. Também estão presentes Graziella Moretto, figurinha carimbada no cinema nacional , Paulo Guarnieri e elenco. Ah, sem contar é claro o fofo do garotinho Fabrício Reis que rouba a cena. Cada personagem tem seu drama bem delineado. Gostei do que vi. Achei que o filme poderia ter acabado muito antes do verdadeiro final, ele se estende um pouco mais, o que achei desnecessário. A trilha sonora, o instrumental, cansou um pouco, algumas cenas tornam o filme um pouco repetitivo, e a busca do personagem principal por seus antigos fantasmas pessoais poderia ser um pouco mais curta. Não achei grandiosa, mas gostei da fotografia ( de Lula Carvalho) principalmente em algumas cenas que a câmera segue os atores e a iluminação natural do ambiente, traduz em imagem, cores e texturas o desconforto dos personagens. A trilha, sim, volto a trilha sonora, assinada por Plínio Profeta, é um pouco excessiva.
___
Apesar de todas as críticas que fiz, e de ter escutado de muitos colegas jornalistas , que o filme seria ótimo se fosse um curta-metragem, que a fotografia estava péssima, as cenas cansativas, que Selton estava bancando um pseudo-intelectual, eu gostei. Achei legal, gostei desse olhar do Selton, como diretor. O filme do Matheus Nachtergaele , me deixou frustrada, mas o de Selton não. Gostei, e indico. Um grande ator, e espero que se consagre também como diretor.

Boa estréia.
J.M

Wilhelm Busch


Alzira E


A minha preferida da família Espíndola. Lembro dos almoços de domingo na casa do tio Francisco, quando pequena, ( tenho parentesco direto com os Espíndolas, primos de 1° e 2° grau, essas coisas, porém não somos tão ligados), “tia” Alzira, sempre uma das mais simpáticas, sempre sorrindo, e aquele bando de molecada correndo no grande jardim do sobrado. Memória boa também é de Tia Alba ( a mãe do clã, irmã do me avô), uma querida, sempre bem arrumada, gentilíssima, delicada, uma pele branquinha, adorava uma boa prosa. Adorava ir na sua casa, cheia de verde, as cadeiras na varanda, várias esculturas de madeira no quintal , e sempre uma boa torta de morango nos esperando. Uma querida.
Gosto das músicas da Tetê , acho o máximo a época do “Lírio Selvagem”, curto muito Jerry Espíndola, Celito, Geraldo, os quadros do Beto.Mas sempre gostei da Alzira, assumo, minha preferida. Tem boas letras, presença, idéias, um carisma e uma personalidade nata. “Alzirinha” como diz minha mãe é sempre bem falada aqui em casa.
Há tempos radicada em São Paulo e se misturando com uma galera muito massa da Big City. Ela compõe, faz som junto com toda essa moçada “descolada” de agora. Fico tão feliz toda vez que a vejo, mesmo que de longe, no palco. Baixinha, magra e de uma grandeza enorme quando pisa nos palcos e destila toda a sua poesia. E quando vi ela e Iara Rennó ( sua filha), as duas, cantando, amei. Fim de 2008 fui num show dos Espíndolas, e fui principalmente para ver Tia Alzira e Iara. Lindo. Quando entraram no palco todos os irmãos, e tia Alzira e Tetê , as vozes de mais destaque, cantando o refrão “Quando você cai dentro do meu coração, é como se o sol e a lua se esparramassem pelo chão”, não agüentei, emocionei.
Enfim, sou fã, compro os cd’s, e sempre que dá vou atrás do seu bloco para vê-la cantar.

Alzira é pulsante.

Alzira E, lançado pela Duncan Discos, todas as canções de Alzira e Arruda; a arte e as fotos do encarte, massa também.

1 RASGO FÁCIL
2 TALENTO
3 VAI QUÊ
4 ASSIM QUE POSSÍVEL
5 MEIO SEGUNDO
6 OUVINDO LOU REED
7 TECNOCÓLERA
8 KITNET
9 CHUVA ACESA
10 NÃO TEM LIMITE
11 LUGAR ALGUM
12 DIZ
13 AGORA YES
J.M