domingo, 26 de outubro de 2008

Sertão veredas


O saudades do sertão!Saudades de Pernambuco, e de sentir a euforia do Carnaval!


Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
..
O prazer de quem tem saudade é
saudade todo dia
..
ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia


Cordel do Fogo Encantado



Ensaio


Finalmente depois de um instiga louca, assisti Ensaio sobre a Cegueira. Como grande fã de José Saramago que sou devorei o livro em poucos dias e quando soube que finalmente Fernando Meirelles tinha conseguido a autorização para gravar, li novamente. Uma pessoa altamente suspeita, adoro Fernando Meirelles e também Saramago, tudo num pacote só. Obras literárias que vão para as telas do cinema ,sempre desconfio. Será que ficou fiel? Será que estragou tudo? E claro, sempre vai ter o olhar do diretor, sua interpretação final. Li tudo que saiu, tanto as críticas negativas, positivas e as sem empolgação, blogs, entrevistas, tudo, só faltava mesmo pagar pra ver.

O livro uma explosão literal clara, crítica, imediata, um tapa na cara, palavras que tem o poder e o prazer de ficar na cabeça. Saramago atinge todos os sentidos, suas escritas têm gosto, cheiro, imagem, um pensar em estágio alucinatório. Quando chega na última frase da obra pensei: “Cara, que isso! Foda”! não existe melhor palavra.

O filme uma adrenalina visual. Desde as filmagens em São Paulo, a produção que Meirelles escolheu toda de brasileiros, o processo exaustivo de reeditar as imagens pelas cenas fortes até a incrível trilha sonora do Uakiti ( adoro), e a fotografia um caso à parte.

ma epidemia de cegueira traz à tona os piores sentimentos de cada um. Uma crítica feroz ao Ser Humano, sua podridão, prepotência e hierarquias. No livro fica bem nítido, no filme um pouco, simbolicamente.

Juliane Moore em atuação divina. As cenas dos estupros coletivos ( tão polêmicas) não são de chocar, muito bem feitas. A sensação clautrofóbica dos cegos esquecidos dentro de uma manicômio sujo, frio é sentida pelo público.

Uma luminosidade branca que invade o filme todo o momento, um som parecido com uma campainha na troca das cenas, como se estivesse passando o capítulo . César Charlone diretor maestral de fotografia, novamente na equipe de Fernando Meireles. Imagens poética, lindas.
Durante o filme só pensava como aquilo era absurdamente bom. A cena final ficou como eu queria, como se estivesse com o livro nas mãos . A visão branca que cobria os olhos da mulher do médico, ela para na sacada e .... “ A cidade continuava ali embaixo”, fecha com uma imagem de São Paulo.

Ahhh emocionei. Repetindo, foda. Muito bom, só falava isso depois que sai da sala.

Fernando Meirelles fez muito bem o seu “Blindness” que ganhou a aprovação do dignissimo Saramago, como dá pra ver ( e se emocionar) com a declaração que o próprio deu , o vídeo já rola a tempos no youtube. Saramago numa entrevista : “Os homens nesse livro são uns idiotas, a força e a inteligência está nas mulheres. Eles não fazem nada, só mostram sua fraqueza e imacapacidade”. Massa.

Agora quero ser Meirelles e amiga do Saramago. É esse intusiasmo que o cinema causa que me faz acreditar cada vez mais que o audiovosual é a minha praia. Essa felicidade, bem estar de produzir um projeto seu e jogar no coletivo é incrível. O cinema, as imagens, literatura e música têm esse poder de encantar e brincar quase que físicos. Adoro.

Filme bom para ver, agora!

Jukebox: David Bowie em tempo integral!
J.M


Sobre esmalte, maconha e lance de dados


Bastidores do filme Ensaio sobre a cegueira, postado no blog do longa, diário escrito por Fernando Meirelles. Textos bem legais, esse em especial, principalmente pra quem já viu o filme!
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Post 8: Sobre Esmalte, Maconha e Lance de Dados.
Durante um ensaio, o Gael (García Bernal) andava vendado por um corredor cheio de lixo cenográfico quando pisou num tubinho circular. Abaixou-se, pegou o volume sob seus pés e sem saber do que se tratava, desrosqueou a tampinha e cheirou. Era esmalte. Teve um impulso de passar na unha, mas se conteve. Esta pequena experiência casual modificou a linha de seu personagem e, com isso, o filme todo.

Convidei o Gael para fazer o papel do Rei da Camarata 3 porque imaginei que ser ia mais surpreendente um vilão boa pinta, com cara de garotão inofensivo. Já haviam me dito que ele é um ator que costuma interferir bastante na criação de seus personagens e essa foi mais uma razão para chama-lo. Gosto de ouvir idéias alheias e as uso sempre. Quando a gente coloca fichas no inesperado, ele acontece. Paguei para ver.

O Gael chegou no Canadá só em nossa terceira semana de filmagens, e foi no seu primeiro dia de ensaio que ele pisou no tal vidrinho. Ao cheirar o esmalte, pensou que o mesmo poderia acontecer com seu personagem e, portanto, o Rei da Camarata 3 poderia perfeitamente estar com as unhas pintadas na cena onde promove uma orgia com as mulheres das outras camaratas. Achei a idéia meio esquisita, mas dei corda. Não queria cortar a onda dele no nosso primeiro dia de trabalho. Quando a Micheline, maquiadora, soube disso veio me perguntar se eu queria mesmo pintar as unhas dele de vermelho.
Minimizei: “A cena é escura, nem vai dar para ver direito. Allons y*” (* “Vamos nessa”, em francês. Ela é de Quebec)

Para que o personagem não fosse confundido como uma drag-queen em potencial, ou para que o espectador não achasse que estivesse assistindo a “Má Educação-II” ao ver o mexicano com as unhas pintadas, antes de rodar a primeira cena do Rei pedi que ele encontrasse o esmalte por acaso, enquanto falava seu texto. A idéia era fazer o uso do esmalte parecer mais acidental e menos intencional. Só que ele foi muito mais longe e fez metade da cena mais concentrado no esmalte do que em seu texto. Achou o frasco, pegou, abriu, cheirou, passou o esmalte em cada unha, assoprou, esbarrou no vidrinho que caiu no chão, saiu procurando. Ia falando com os outros personagens completamente distraído, interessado apenas no esmalte. A cada tomada, ele acrescentava mais algum detalhe desta historinha paralela. O resultado ficou muito engraçado. O vilão cruel ficou parecendo um trapalhão que havia fumado três baseados, alheio ao sofrimento que estava provocando ao seu redor. Um cara mais irresponsável do que perverso e talvez por isso mesmo até mais assustador. Gostamos do resultado.

Uma vez encontrado este tom, resolvemos fazer as outras cenas do Rei na mesma direção. Com isso esse vilão meio xéu-bléu-bléu acabou virando o personagem mais cômico do filme. O espectador deverá detestá-lo por suas atitudes mas, ao mesmo tempo, poderá ter alguma simpatia pelo seu tom de moleque descompromissado. Humor é sempre um golpe baixo. Difícil resistir.

E foi assim que aquele pequeno incidente no corredor funcionou como um gatilho para que o Gael inventasse seu personagem. O tom encontrado trouxe oxigênio para a história e abriu um viés que não estava nem no roteiro e nem na minha cabeça no início das filmagens.


Lição do dia: Criação é assim. Como um lance de dados, jamais abolirá o acaso.


Fernando Meirelles



sábado, 25 de outubro de 2008

Piauí

A sempre boa Piauí







Otto


Esse amor me derreteu
Ajoelha-te esquece
Me chupa e agradece
A quem te machucaAgradece, meu Deus
Dói demais
Tanta história de fogo
Que se passa
É melhor se queimar
Que viver na solidão
Esse giro
Esse amor
Essa cachaça
Esse cheiro de morte
Eu respiro forte
Eu desmaio
Eu amo demais

Otto

Elogio ao desequilibrista

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Studio

Barreto e Hurtmold!!!!! é de paixão! Studio sp uma das a melhor baladas sumpá!







quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Maíra.


Grita, roda, dança, solta os cabelos e contagia.Pulsante. Seu nome significa inteligência. Quando chega ela orna, pisa no palco e causa uma euforia sonora que junto com o som sinuoso dos instrumentos faz sentir uma abstração concreta da realidade. Tem presença, chega e acontece, é como dançar com fogo, agarre na mãe dela e deixe-se levar. Seu nome Maíra Espíndola.
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Nascida e criada em Campo Grande. 29 anos. Teve uma infância normal, não apanhou muito, sempre bem tratada. Não era de muitos amigos, mesmo assim feliz. Mestre em observar formigas, mas não as comia. Gosta de como os fatos estão marcados na memória.
Namora um sujeito com nome de nobre que é parceiro nos palcos (também dividiram um programa de rádio, o saudoso Microfonia), com suas baquetas que pesam como chumbo, numa batida explosiva e rítmica, como no compasso da vida a dois. Começou quando ainda nem tinham nascido: suas mães, amigas desde a gravidez. A correria do mundo moderno os afastou. Reencontro na escola, ainda crianças. Outro desencontro, e novamente nos 20 anos os dois se cruzam na faculdade, daí os limites geográficos não mais os separam.
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Formada em rádio e TV como a própria diz “trabalho no que aparecer” diverte-se. Algumas escolhas a levam para outras, como um ciclo sem fim. Classifica-se como Designer, tem uma capacidade de transformação na vida profissional..Um bico aqui, outro ali, ela joga com o tempo a seu favor.
Como a Camaleoa de Caetano Veloso, uma mulher de Atenas de Chico Buarque, a Capitu de Machado de Assis ou Giulietta Masina de Fellini, Maíra é várias em uma só, única, de uma autênticidade invejável. “ Ela é forte e feminina, autêntica, que implica na coragem de não abrir mão das coisas que gosta, eu busco ser assim”, declara a amiga, fã e jornalista Manuela Baren.
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Mulher do rock, com seus vestidos curtos, botas, camisetas, visual pin-up as vezes retrô. Sedutora, assume o posto de musa da banda Dimitri Pellz. Fêmea sonhadora que dá voz e alma nesse universo de riffs, polca fronteiriça e muito rock n’ roll.
Uma muher com cara de menina que odeia fazer listas, tem paixão pelo cinema e admira Quentin Tarantino. Referências: a avó e toda a família, amigos, Clint Eastwood, ritmos latinos, o vocabulário e sotaque dos gaúchos, a palavra “altivez”, clows, terapia do sono, Julio Cortázar, circo e o estudo involuntário e obcecado das histórias pessoais das outras pessoas. Gosta dos cineastas Federico Fellini e David Lynch, este último “para manter uma certa distância do que chamamos de realidade”, reflete.
Maíra poderia ser um esboço de um retrato de Picasso, daqueles bem raros, de uma moça olhando o horizonte pela janela , ou então, uma festa colorida nas telas de Miró.
Se sua vida fosse um filme seria Amacord, de Federico Fellini. Uma música, My Sweet Lord, do George Harrison, e se tivesse um gosto, seria o de vinho. Ainda ressalva que essas respostas mudam de dia para dia.
“Provavelmente eu também vou morrer, conta logo a sua história” ela canta a letra de Bandido, hit certeiro em um show da banda. Maíra é tão viva, intensa em idéias que transbordam num carisma que vem de berço. Se alguma revolução está próxima, no palco do Dimitri Pellz começou faz tempo.
..


"Se a vida foi difícil assim,
Foi pra você, também pra mim.
Veja minhas mãos sangrando,
Meu coração partido.
Bandido, bandido, bandido.

Parado, bandido.
Parado, bandido."


J.M

sábado, 18 de outubro de 2008

Você, você

Para os já amados Francisco, Pedro, Sofia e Théo

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?

Chico Buarque, sempre Chico

J.M

Fuerzabruta


Fuerzabruta: Como se você estivesse sonhando, aqueles sonhos bem loucos e delirantes, um sonho acordado. Uma apresentação onde o público participa, interage com cada cena apresentada. Fuerzabruta é um espetáculo físico, visual e impressionante.
Com um clima de “balada“, jogos de luzes, corpos suspensos, movimentos impressionantes dos atores e música muito alta. Fuerzabruta vai do silêncio até um nível musical que atinge muitos decibéis e exploram todas as emoções da platéia. A eletrizante trilha sonora, mescla vários ritmos eletrônicos , entusiasmo pulsante a mil não apenas dos artistas. O grupo tem como trabalho anterior o espetáculo “De La Guarda” , brilhante também, o diretor de FuerzaBruta , Diqui James é um dos integrantes.



Um galpão/tenda com capacidade para 1.000 pessoas é transformada em um imenso palco que, com toneladas de equipamentos, luzes, cenários e música potente, envolve todos os participantes. Não é a toa que a produção faz constar na página que as pessoas não devem ir sapatos de salto e sim com roupas confortáveis . Mas isso é o mais legal do espetáculo. Você vai estar lado a lado com os atore as ações acontecem perto de você. Praticamente há uma piscina sobre sua cabeça. Você sente o vento ,sente a música e se emociona com tudo o que acontece ao seu redor. É difícil descrever, mas não deve ser a toa que FuerzaBruta (depois de estrear em Buenos Aires em 2005) foi considerado um dos maiores êxitos da temporada 2008 na Broadway e já passou por Londres, México, Lisboa, Bogotá, Edimburgo, Córdoba e Berlim.E agora tudo isso chega a São Paulo! Pela primeira vez no Brasil Fuerzabruta será apresentado, em curta temporada, no Parque Villa Lobos . A boa é que com o sucesso a trupe prolonga a estadia no Brasil até 09 de novembro.

Boa pedida, o efeito é literal!Massa

jukebox: Los Sebozos Postizos - New Broom


J.M






mostra

Eba!Quando chega a melhor época do ano!

http://www.mostra.org/32/


J.M

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vive la Fête





Os belgas do Vive La Fête mais uma vez o Brasil! Adoro o som dos caras! É a terceira vez que o grupo de electro rock vem ao Brasil. A primeira delas foi em 2004, quando chegaram a tocar no festival pernambucano Abril pro Rock. A segunda, em 2006. A nova turnê nacional inclui BH, Brasília e Rio de Janeiro. Formado por Danny Mommens (guitarra e vocais), Els Pynoo (vocal), Dirk Cant (baixo), Matthias Standaert (bateria) e Roel Van Espen (teclados), o Vive La Fête traz como referência uma mescla de Blondie, The Cure, Kraftwerk, Daft Punk, histórias de amor e sexo, e a melancolia synth pop dos anos 80.



10/10 - São Paulo (The week)
15/10 - Curitiba (Show Fechado)
14/10 - Brasília (Espaço Brasil Telecom)
18/10 - Rio de Janeiro (Centro Cultural Ação Cidadania)
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Jukebox: Certeza - Leandra Leal
J.M